Modelagem: Desconstrução e criação
A modelagem se fundamenta
em uma série de etapas para sua construção que transforma materiais planos em
formas tridimensionais adaptáveis ao corpo humano, produzindo produtos que
podem ser replicados ou não no mercado.
Para cada peça do vestuário existe uma
pesquisa e adequação de tecidos e modelagem que interferem diretamente no
produto final.
A desconstrução dessas
peças vem de encontro à potencialização da criatividade para que um determinado
produto possa se transformar e desenvolver uma outra forma vestível, sendo que
o fator vestibilidade é fundamental para a criação e desenvolvimento de um
produto comercial.
Nessa matéria, pude me
confrontar com a modelagem e desconstrução de uma forma mais real, fruto de um
processo criativo, mas com foco no mercado consumidor. É como se tivesse um
botãozinho do bom senso ligado a todo momento, não é um “freio” de julgamento
entre o feio e o bonito, mas sim o entendimento daquilo que se pode vestir de
maneira confortável ou não, uma peça de roupa vestível, dentro dos padrões
mínimos de uma construção dentro da própria desconstrução.
O primeiro trabalho
proposto pela professora Ana Laura Marchi Berg foi a desconstrução de uma
camiseta básica e a experiência inicial se deu em papel com auxilia de uma
tesoura e fita crepe.
A desconstrução dessa camiseta
precisa de uma visão geral e conhecimento de modelagem para que se possa
realizar o trabalho, a ideia central do trabalho proposto era o desenvolvimento
de uma peça única à partir de um molde de uma camiseta básica com manga mais
larga, já inclusa no molde frente e costas.
O ponto inicial foi a
união de um dos ombros da blusa, transformando automaticamente o molde de
frente em costas em um molde único e à partir daí desenvolver a desconstrução
para a criação de um novo modelo com recortes que resultaria na mesma peça de
roupa inicial, mantendo as mesmas dimensões depois de fechada.
Para facilitar o
entendimento dessa desconstrução, usamos papel listrado em tamanhos de listras
diferentes para aguçar a percepção de movimentação do fio do tecido e dimensionar
melhor mentalmente o resultado final e assim partir para os recortes da
desconstrução de fato. Entender sobre a construção é fator determinante para realização
desse processo, uma vez que esses recortes não podem ser feitos de forma
desordenada e aleatória, um exemplo para melhor entendimento é a retirada de
parte da camiseta e inserção na barra da manga ou decote, impossibilitando a
construção novamente da peça.
Um outro detalhe
importante é a acréscimo de pelo menos 0,7 cm na linha de cada recorte para que
quando houver a união dessas novamente através da costura, não haja diminuição
de tamanho da peça, portanto, não interferindo na modelagem inicial do exercício.
Além dos recortes é
possível inserir volumes na peça, colocar franzidos e pregas e ver na prática a
consistência do processo criativo. Como pode observar na figura abaixo, foi
feito estudo de forma simétrica e com inserção de volume, também foi possível observar
que a interferência que se faz no molde, na hora de desconstruir, tem um limite
a ser respeitado, para que uma parte do molde não sobreponha a outra, inviabilizando
o projeto.
A minha escolha de projeto
final foi assimetria da peça com inserção de um volume na parte da frente,
dando maior leveza e um ar de godê, modificando totalmente o fio do tecido e ainda
recortes com contornos na parte das costas para uma visão bem nítida dessa
mesma mudança de fio.
DESCONSTRUÇÃO DE CAMISA
Foi nesse momento em que a
desconstrução criou o grande fascínio em mim, eu sempre gostei muito de
customização, que tem tudo a ver com a desconstrução, mas esse me foi
apresentada de uma forma muito mais consistente. A proposta do exercício foi
criar uma peça de roupa, com vestibilidade, pensando num produto final
vendável, utilizando-se somente de partes de camisa e muita, muita
criatividade.
Para estimular a
criatividade usamos moulage no processo de desenvolvimento da peça,
inicialmente era preciso brincar, colocar partes da camisa de ponta cabeça,
frente nas costas, quebrar padrões e abrir a mente para o novo. Nesse processo
criativo estávamos em 3 pessoas, eu, Isabela e Silvia, cada uma com um gosto
diferente, mas alinhadas com um mesmo propósito, fazer o melhor possível
naquela atividade, o que foi muito importante para que pudéssemos chegar ao
resultado final com muita satisfação.
Etapas da construção:
A parte da frente da
camisa se manteve com vistas da forma convencional, já na parte das costas,
construímos uma pala solta o restante das costas duplas, toda pespontada,
criando a possibilidade do uso aberta ou com botões.
A manga foi composta por
gola com a parte superior ficando com
ombro a mostra, uma tendência de moda e na parte inferior da manga foi
utilizada a própria manga, sem a cabeça e com carcelas maximizadas para dar um
ar mais urbano na peça que ainda não sabíamos qual seria o resultado final,
fomos fazendo a construção aos poucos, testando e costurando aquilo que íamos
gostando.
Foi nesse momento em que
consideramos a possibilidade de desenvolver um macacão nessa construção, a cava
das frentes da camisa se transformaram em cavalo da parte de baixo do macacão,
sem sofrerem interferência de modelagem, para que a peça ficasse melhor
adaptável e com vestibilidade, na parte lateral da parte de baixa, entre
cintura e quadril, fizemos a inserção de uma carcela gigante para conseguir ter
o aumento necessário de tecido para o quadril. Na parte superior do macacão,
fizemos uma pence para acinturar e nesta incluímos uma gola de cada lado com
dobras para dar um diferencial na peça.
Todas as construções
ficaram incríveis, toda sala foi dividida em trios e todos com a mesma proposta
de desconstrução à partir de uma camisa simples e nenhum resultado ficou
parecido com o outro. A criação era livre escolha de cada turma.
Para nossa construção do
novo modelo usamos:
- 2 mangas
- 2 punhos
- 6 frentes
- 2 costas
- 4 golas
- 2 palas
- 4 carcelas
Inserção de formas
geométricas
A ultima proposta desta
matéria foi a construção de uma calça com bom caimento e depois fazer a
inserção de uma forma geométrica, colocar a criatividade a prova mesmo. Essa
inserção poderia ser da maneira com que cada um quisesse fazer.
Era preciso pensar no
volume e no caimento ideal para a forma escolhida, podendo usar losango, retângulo, círculo ou hexágono.
Pensei em vários tipos de
movimento com cada uma das formas e cada uma delas dá um resultado diferente.
Para iniciar esse
trabalho, fiz o molde base de uma calça com caimento mais estilo calça de alfaiataria
com cintura alta e escolhi um crepe de malha para o modelo.
O corte da calça foi feito
dentro da metade de um círculo ficando cada uma das pernas posicionadas em ¼ de
círculo mantendo a barra da calça no corte sem acabamento no próprio traçado da
circunferência.
Colocando ainda mais a
criatividade para funcionar, resolvi cortar uma renda guipir em algodão, no
mesmo tom do crepe de malha, dois retângulos com um corte central para inserção
na calça, conforme proposta de desenvolvimento do trabalho.
Usei o retângulo cortado para contornar a cintura da calça e a sobra foi retirada e justamente com essas sobras de flores de algodão fiz aplicações no cós da calça uma a uma.
Aproveitei todos os retalhos de sobra do crepe de malha para fazer uma regata usando o método de construção de base de blusa conforme o livro de Técnicas de modelagem feminina da Professora Ana Laura Marchi Berg e a flores do guipir trouxeram um ar mais romântico para a estrutura moderna de construção da calça.
Esse é o resultado final deste trabalho e espero que tenha gostado deste post.






























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